sexta-feira, 4 de setembro de 2026

GUINÉ-BISSAU: ‎🇬🇼𝗢𝗙𝗜𝗖𝗜𝗔𝗟 𝗗𝗔𝗦 𝗙𝗢𝗥Ç𝗔𝗦 𝗔𝗥𝗠𝗔𝗗𝗔𝗦 𝗗𝗜𝗭 𝗤𝗨𝗘 𝗗𝗢𝗠𝗜𝗡𝗚𝗢𝗦 𝗦𝗜𝗠Õ𝗘𝗦 𝗣𝗘𝗥𝗘𝗜𝗥𝗔 “𝗡𝗨𝗡𝗖𝗔 𝗩𝗔𝗜 𝗖𝗢𝗡𝗦𝗘𝗚𝗨𝗜𝗥” 𝗚𝗢𝗩𝗘𝗥𝗡𝗔𝗥 𝗦𝗘𝗠 𝗔𝗣𝗢𝗜𝗢 𝗗𝗢𝗦 𝗠𝗜𝗟𝗜𝗧𝗔𝗥𝗘𝗦.

Rádio Voz da Guiné   4/09/2026

Um oficial das Forças Armadas da Guiné-Bissau considera que a relação de Domingos Simões Pereira com os militares e a atuação de alguns dos seus apoiantes nas redes sociais podem constituir obstáculos às suas ambições políticas.

‎‎As declarações foram proferidas esta semana, em Bissau, sob anonimato durante uma conversa informal. 

‎‎Apesar de reconhecer a popularidade do líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) junto de uma parte da população guineense, o militar considera que Domingos Simões Pereira comete um erro ao procurar manter as Forças Armadas afastadas da esfera do poder.

‎“Na África e não só, não pode governar sem apoio ou suporte das Forças Armadas.”

‎‎Na avaliação do oficial, as Forças Armadas continuam a desempenhar, em vários países africanos, um papel determinante nas disputas e na sustentação do poder político.

‎“Querendo governar um país e colocando estes nos seus respectivos cantos, esquece.”

‎‎O oficial criticou igualmente a atuação de alguns ativistas ligados a Domingos Simões Pereira nas redes sociais.

‎‎Para o militar, apesar da crescente influência das redes sociais na mobilização política e na formação da opinião pública, algumas intervenções de apoiantes do líder do PAIGC acabam por produzir efeitos negativos para a sua imagem política.

‎“Ele tem bastantes ativistas que têm prejudicado ele pensando que estão a ajudá-lo.”

‎‎Na opinião deste responsável militar, Domingos Simões Pereira deveria reunir-se com esses apoiantes e estabelecer uma estratégia mais clara para a comunicação política nas redes sociais.

‎“No fim de tudo, é ele quem sai prejudicado com a atuação destes.”

‎‎Durante a conversa, o oficial referiu-se também ao processo do referendo constitucional realizado na Guiné-Bissau no domingo, 30 de agosto de 2026.

‎‎Num tom irónico, questionou:

‎“A nossa Constituição passou ou não passou? Nós sabíamos que ia passar.”

‎A declaração ocorre num contexto de forte controvérsia política em torno do referendo. Setores da oposição classificaram o processo como um “fracasso total” e defenderam que a abstenção teria ultrapassado os 90%, interpretando a ausência às urnas como uma rejeição ao regime militar.

‎‎Os resultados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), entretanto, apontaram para a vitória do “sim”. Segundo os dados provisórios, o “sim” obteve 383.117 votos, correspondentes a 70%, contra 160.904 votos do “não”. A CNE indicou ainda uma participação de 572.714 eleitores, num universo de 914.428 inscritos.

‎‎O referendo incidiu sobre alterações constitucionais que reforçam os poderes do Presidente da República e reduzem a composição parlamentar, entre outras mudanças.

‎‎Na mesma ocasião, o oficial revelou que pretende entrar na política depois de deixar as Forças Armadas.

‎“Eu, quando for para a reforma, vou também fazer política, porque tenho a minha formação superior e posso ser um excelente político.”

‎‎Ao analisar a atual conjuntura política, considerou que o país atravessa uma situação complexa e atribuiu parte dos problemas nacionais àquilo que classificou como “ambiguidade dos homens”.

‎‎Apesar de reconhecer a popularidade de Domingos Simões Pereira, o militar não demonstrou confiança numa eventual chegada do líder do PAIGC à Presidência da República.

‎‎Paralelamente às declarações do oficial, continuam a registar-se movimentações no interior de diferentes formações políticas guineenses, num momento em que o país se aproxima das eleições gerais previstas para dezembro.

‎‎O Presidente da República de Transição, Horta Inta-A, fixou 6 de dezembro de 2026 como data para a realização das eleições presidenciais e legislativas, através do Decreto Presidencial n.º 02/2026.

‎‎Uma suposta carta, datada de 28 de agosto e que circula nas redes sociais, indica que Ilídio Vieira Té, atual primeiro-ministro de transição e dirigente do Partido da Renovação Social (PRS), terá apresentado a sua renúncia “irrevogável e imediata” à militância da formação política.

‎‎Na alegada missiva, Ilídio Vieira Té afirma que foram anos de “entrega, participação ativa e de contribuição institucional”, mas considera ter chegado o momento de encerrar esse ciclo, em coerência com as suas convicções pessoais.

‎‎Também circulam informações segundo as quais Ilídio Vieira Té estaria a ponderar a criação de uma nova formação política, alegadamente denominada Partido Popular Guineense (PPG). 

‎A mesma onda de movimentações envolve, segundo declarações e documentos que circulam nas redes sociais, Uffé Vieira, que exercia o cargo de presidente da Juventude do PRS.

‎‎Na declaração que lhe é atribuída, Uffé Vieira afirma ter tomado a decisão “com serenidade e respeito”, reconhecendo o período vivido, as experiências adquiridas e as oportunidades obtidas ao longo da sua trajetória política.

‎Também são apontadas como tendo deixado a formação política Abulai Dafé e Farid Michel Tavares Fadul, associados ao PRS da ala liderada por Félix Nandunguê.

‎‎No Partido dos Trabalhadores Guineenses (PTG), liderado pelo antigo ministro do Interior Botche Candé, também foi anunciada uma saída.

‎‎O deputado Ba Seco Cassamá, conhecido por Baiseck Cassamá, terá renunciado à militância no PTG.

‎Na declaração que circula nas redes sociais, o deputado afirma que a decisão resulta de uma reflexão pessoal, tomada “com serenidade e sentido de responsabilidade”, tendo em consideração o seu percurso pessoal e profissional e as suas perspetivas para o futuro.

‎‎Com as eleições presidenciais e legislativas previstas para 6 de dezembro, o cenário político guineense começa a registar novos alinhamentos, possíveis desfiliações e movimentações internas nos partidos.

‎‎As declarações do oficial das Forças Armadas acrescentam outro elemento ao debate, ao colocar em discussão a relação entre os partidos políticos, as Forças Armadas e o processo democrático.

‎‎𝗣𝗼𝗿: 𝗥á𝗱𝗶𝗼 𝗩𝗼𝘇 𝗱𝗮 𝗚𝘂𝗶𝗻é  

‎𝗥𝗘𝗗𝗔ÇÃ𝗢 𝗖𝗘𝗡𝗧𝗥𝗔𝗟

‎𝗣𝗨𝗕𝗟𝗜𝗖𝗔𝗗𝗢 𝗘𝗠: [𝟬4-𝟬𝟵-𝟮𝟲]

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