© MAXIM SHIPENKOV / POOL / AFP via Getty Images Por LUSA 21/09/2026
Segundo anunciou hoje a Comissão Eleitoral Central (CEC), Ramzan Kadyrov, aliado checheno de Putin, obteve 99,85% dos votos, um recorde histórico.
Kadyrov, que chegou ao poder em 2007, e é acusado de inúmeras violações dos direitos humanos por organizações internacionais, tinha obtido 99,7% dos votos há cinco anos.
Os 0,05% dos votos que não foram atribuídos a Kadyrov foram repartidos por Ismail Denilkhanov, do partido Rússia Justa, e Khalid Nakayev, dos comunistas.
Desde que assumiu a presidência da república norte-caucasiana, o líder checheno conta com o apoio de Putin, que lhe atribuiu as mais altas honras estatais.
A república — onde Kadyrov impôs um Estado policial que persegue qualquer sinal de dissidência e minorias sexuais, segundo os defensores dos direitos humanos — é amplamente subsidiada pelos cofres do Estado federal.
Segundo a imprensa independente, trata-se do pagamento do Kremlin pelo facto de as autoridades chechenas terem liquidado a guerrilha islâmica separatista e jurado lealdade ao Kremlin.
O Kremlin procurou que as eleições servissem para demonstrar o apoio popular à guerra e esforçou-se por evitar riscos políticos, esmagando qualquer dissidência, de acordo com a AP.
O partido liberal Yabloko, o único que se atreveu a criticar publicamente a guerra, foi retirado do boletim em agosto, pelo Supremo Tribunal da Rússia.
O Yabloko apresentou apenas algumas dezenas de candidatos em círculos uninominais.
Alguns políticos anti guerra foram presos ou forçados a fugir para o estrangeiro antes da campanha eleitoral.
O Yabloko e o Partido Comunista, que criticou alguns aspetos da política governamental, mas evitou cuidadosamente qualquer crítica a Putin, disseram que muitos dos seus observadores foram impedidos de entrar nas assembleias de voto.
A Rússia não convidou observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo a acusar o organismo de "duplos critérios" pelas críticas a Moscovo.
O partido que apoia o regime de Putin, Rússia Unida (RU), revalidou a maioria parlamentar com um número recorde de pelo menos 355 dos 450 deputados, anunciaram hoje as autoridades eleitorais russas.
O anterior recorde era de 343 deputados e tinha sido alcançado pelo RU em 2016, de acordo com a agência francesa AFP.
Os resultados de mais de 95% das assembleias de voto atribuíram ao RU cerca de 58% dos votos para os 225 lugares distribuídos por listas partidárias, de acordo com a Comissão Eleitoral Central.
Outros 225 deputados foram escolhidos em círculos uninominais, e os resultados mostraram os candidatos do partido afeto ao Kremlin (presidência) a liderar em 208 dessas disputas, noticiou a agência norte-americana AP.
A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, disse que os resultados preliminares indicavam que o RU deverá obter pelo menos 355 lugares dos 450 que compõem a Duma Federal, a câmara baixa da Assembleia Federal.
Os resultados definitivos estão previstos para sexta-feira.
A votação decorreu entre sexta-feira e domingo, naquelas que foram as primeiras legislativas russas desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Foi a primeira votação a incluir residentes de quatro regiões da Ucrânia que foram ocupadas e ilegalmente anexadas por Moscovo no final de 2022.
A votação também se realizou na Crimeia, ilegalmente anexada pela Rússia em 2014.
A Ucrânia denunciou como ilegal a votação nas cinco regiões, cuja soberania reclama a Moscovo com o apoio dos aliados ocidentais de Kyiv.
Leia Também: "Desastre", derrotas e pressão sobre Merz. O que se passa na Alemanha?
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições regionais em dois estados alemães: Saxónia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. O chanceler alemão, Friedrich Merz, reconheceu o resultado como um "desastre". Afinal, o que se passa na Alemanha?
Em duas eleições regionais consecutivas, o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu em dois estados alemães: Saxónia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, consolidando-se como principal força política em partes do leste alemão. O chanceler, Friedrich Merz, reconheceu o resultado como um "desastre". Afinal, o que se passa na Alemanha?...


Sem comentários:
Enviar um comentário