quarta-feira, 15 de julho de 2026

Porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), Fernando Vaz em Conferência de Imprensa sobre recente declaração do Primeiro-Ministro do Cabo Verde.


O Conselho Nacional de Transição (CNT) acusa o atual Governo de Cabo Verde de interferir nos assuntos internos da Guiné-Bissau e anuncia o "congelamento prático" das relações com o executivo cabo-verdiano.

Na terça-feira, 14 de julho, o governo cabo-verdiano apela à libertação rápida de Domingos Simões Pereira e manifestou a disponibilidade para o diálogo em busca de soluções pacíficas para o país. 

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, 15 de julho, pelo porta-voz Fernando Vaz, o CNT afirma que o Governo cabo-verdiano não possui legitimidade para fazer comentários sobre processos políticos e judiciais na Guiné-Bissau. O documento sustenta que qualquer tentativa de exigir a libertação de atores políticos constitui uma ingerência na soberania nacional.

O Conselho Nacional de Transição refere alegações relacionadas com processos judiciais em Cabo Verde envolvendo figuras políticas, argumentando que o executivo cabo-verdiano deveria concentrar-se nos seus próprios desafios internos antes de comentar assuntos da justiça guineense.

As autoridades de transição acusam ainda o Governo cabo-verdiano de seguir uma política externa alinhada com interesses portugueses e europeus, alegando que o executivo atua sob influência externa e não em defesa dos interesses africanos.

Além disso, o CNT critica aquilo que descreve como uma orientação ideológica do Governo de Cabo Verde, afirmando que o país estaria a confundir posições partidárias com a ação diplomática do Estado.

Segundo Fernando Vaz,  o CNT recorda acontecimentos ocorridos entre 1973 e 1980, referindo alegações sobre violações de direitos humanos e defendendo que muitas famílias guineenses continuam à procura dos restos mortais de familiares desaparecidos nesse período.

O documento destaca o papel desempenhado por combatentes da Guiné-Bissau na luta pela independência de Cabo Verde, sustentando que essa história comum deve ser respeitada.

Outro ponto abordado é a participação de Cabo Verde na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). O CNT afirma que o país não teria autoridade política para influenciar decisões regionais, utilizando esse argumento para contestar as posições assumidas pelo Governo cabo-verdiano.

Apesar da critica dirigida ao executivo da Praia, o  o CNT faz questão de distinguir o Governo do povo cabo-verdiano.

Segundo o CNT, "o povo guineense e o povo cabo-verdiano são e serão sempre irmãos", acrescentando que a ligação histórica entre ambos os povos não deverá ser afetada pelas divergências políticas entre os atuais governos.

O documento termina exigindo respeito pela soberania da Guiné-Bissau e reafirmando que o país rejeita qualquer tentativa de interferência externa nos seus assuntos internos.

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