Por sicnoticias.pt
"No ataque em Kati, o ministro Camara foi morto, assim como a sua segunda mulher", disse um membro da família do militar à agência de notícias francesa AFP.
A notícia da morte de Camara, corroborada por uma fonte governamental e por diversas fontes militares, foi divulgada por vários meios de comunicação, incluindo a rádio francesa RFI, a televisão do Qatar Al-Jazeera ou a publicação Africa Report.
Segundo fontes familiares e militares citadas pela RFI, Camara morreu após um ataque com um camião armadilhado à sua residência em Kati, nos arredores de Bamako.
A RFI disse que no ataque morreram também um das mulheres de Camara e dois dos netos, bem como outros civis que se encontravam na habitação.
A mesma rádio noticiou que o líder da junta militar maliana, Assimi Goita, foi retirado de Kati para um local seguro, enquanto um outro general ficou ferido e recebeu tratamento numa clínica da capital.
Camara era considerado uma figura central no regime militar liderado por Goita e desempenhou um papel determinante na aproximação estratégica com a Rússia, bem como na reestruturação das alianças de segurança na região do Sahel.
A morte de Camara ocorre num contexto de forte recrudescimento da violência e de ofensivas coordenadas lançadas no sábado por grupos armados em várias regiões do território maliano.
Os combates foram retomados hoje no Mali entre grupos rebeldes e o exército, apoiado por mercenários russos, em Kidal (norte) e Kati.
Os rebeldes tuaregues anunciaram que alcançaram um acordo que permite aos soldados russos do Africa Corps retirarem-se de Kidal, cidade que os separatistas afirmam agora controlar totalmente.
A Frente de Libertação do Azawad (FLA), que reivindica o território do norte do Mali, já tinha assegurado no sábado que assumira o controlo de Kidal após combates intensos.
O grupo lançou a ofensiva em coordenação com os jihadistas do Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM, aliado da Al-Qaida), segundo a AFP.
Embora o Mali enfrente conflitos e violência extremista há mais de uma década, a ofensiva simultânea entre o JNIM e a FLA não tem precedentes desde que a junta militar assumiu o poder, em 2020.
Desde o amanhecer de sábado, os confrontos opuseram o exército aos atacantes na periferia de Bamako e em várias cidades estratégicas, como Gao e Sévaré.
O Governo maliano disse no sábado à noite que os combates tinham causado 16 feridos, entre civis e militares, e "danos materiais limitados", mas que a situação estava "totalmente sob controlo em todas as localidades".
A União Europeia (UE) condenou hoje "firmemente os ataques terroristas" no Mali e manifestou-se solidária com o povo maliano num comunicado divulgado pelos serviços da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
"Reafirmamos a nossa determinação na luta contra o terrorismo, bem como o nosso compromisso a favor da paz, da segurança e da estabilidade no Mali e em todo o Sahel", acrescentou.
Na mesma linha, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenou hoje energicamente os "ataques terroristas" no Mali.
"Estes atos hediondos demonstram mais uma vez a natureza bárbara dos autores, que continuam a ameaçar a paz, a segurança e a estabilidade em toda a sub-região da África Ocidental", afirmou a organização com sede em Abuja, na Nigéria.
A CEDEAO apelou à união e mobilização de todos os Estados, forças de segurança, mecanismos regionais e populações da região num "esforço coordenado para lutar" contra o flagelo do terrorismo.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, também condenou no sábado o "extremismo violento" no Mali e apelou a "um apoio internacional coordenado para enfrentar a ameaça evolutiva do extremismo violento e do terrorismo no Sahel".

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