terça-feira, 10 de março de 2026

Mais de 100 mil pessoas foram deslocadas em 24 horas no Líbano... Mais de 100 mil pessoas foram deslocadas em 24 horas devido aos bombardeamentos israelitas no Líbano, totalizando mais de 667 mil já afetadas pelo conflito, anunciou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Por LUSA 

No Líbano, que está a ser alvo de intensos bombardeamentos israelitas desde segunda-feira, "mais de 667 mil pessoas registaram-se como deslocadas na plataforma online do Governo, um aumento de 100 mil num só dia", disse hoje a representante do ACNUR, Karolina Lindholm Billing, aos jornalistas em Genebra.

"O número de deslocados continua a aumentar neste momento (...). Cerca de 120 mil pessoas deslocadas estão alojadas em locais coletivos designados pelo Governo, mas muitas outras estão hospedadas com familiares ou amigos, ou ainda procuram alojamento. Vemos carros alinhados nas ruas com pessoas a dormir dentro deles, assim como nos passeios", disse Lindholm Billing.

"Muitas pessoas deslocadas estão nesta situação pela segunda vez desde o início das hostilidades em 2024 e a maioria fugiu apressadamente, quase sem nada, procurando refúgio em Beirute, no Monte Líbano, na região norte do Líbano e em partes do Vale do Bekaa", explicou a representante do ACNUR.

O ACNUR, cuja operação no Líbano tem atualmente apenas 14% do financiamento necessário, está a apoiar o Governo libanês e as autoridades locais na resposta humanitária à crise, segundo um comunicado da organização.

Até ao momento, o ACNUR distribuiu aproximadamente 168 mil artigos de ajuda humanitária a mais de 63 mil pessoas deslocadas em mais de 270 abrigos coletivos designados pelas autoridades libanesas. Estes artigos incluem colchões, cobertores, sacos-cama, lâmpadas solares e garrafões de água.

"Estamos também a observar um aumento dos fluxos migratórios em direção à Síria, de acordo com as autoridades sírias", disse Lindholm Billing.

"Mais de 78.000 sírios entraram na Síria vindos do Líbano desde o início da escalada das tensões, além de mais de 7.700 libaneses", explicou.

As equipas do ACNUR estão presentes nas passagens fronteiriças sírias, trabalhando em conjunto com as autoridades e os seus parceiros para prestar assistência humanitária de emergência às pessoas que chegam à Síria.

"Uma solidariedade internacional rápida e sustentada é fundamental para nos permitir apoiar o governo e as autoridades libanesas na resposta às necessidades emergentes. A cada dia que este conflito continua, mais sofrimento é infligido a centenas de milhares de civis, enquanto o Líbano e a região se tornam ainda mais instáveis", disse a representante do ACNUR.

O exército israelita realizou um ataque hoje perto da cidade costeira de Tiro, no sul do Líbano, depois de alertar que iria visar infraestruturas do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah na região e instar os residentes a saírem do local, segundo os meios de comunicação estatais. O alerta israelita também abrangeu a cidade de Sidon, igualmente no sul do Líbano.

Israel iniciou uma ofensiva militar no Líbano como a resposta aos lançamentos de ataques aéreos do Hezbollah, que se iniciaram há mais de uma semana contra o território israelita em apoio ao Irão.

Na semana passada, o Governo libanês declarou as atividades militares do Hezbollah ilegais, devendo apenas cingir-se a ações políticas, após uma operação de recolha de armas do movimento xiita. O Hezbollah recusa porém o seu desarmamento e acusa o Governo de ceder a pressões de Israel e Estados Unidos.

Os EUA e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma campanha de ataques militares contra o Irão.

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

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