Por LUSA 05/04/2026
Num relatório publicado na quinta-feira, a Organização Não Governamental (ONG) HRW atribui ao exército burquinense e aos seus auxiliares civis 1.255 mortes de um total de 1.837 civis, e atribui 582 mortes ao Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM ou GSIM, ligado à Al-Qaeda).
Segundo a HRW, a junta burquinense, liderada pelo capitão Ibrahim Traoré desde um golpe de Estado em setembro de 2022, não consegue conter a violência de grupos jihadistas afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, que causaram milhares de mortos ao longo da última década.
A ONG considera estes atos "crimes de guerra e contra a humanidade", e apelou ao Tribunal Penal Internacional para que inicie um inquérito preliminar sobre a "situação no Burquina".
No comunicado divulgado hoje, o Governo burquinense classificou como "falso" o relatório -- que abrange o período de janeiro de 2023 a agosto de 2025 -- e considerou-o "um tecido de conjeturas e alegações graves e infundadas, como é habitual na Human Rights Watch".
"As falhas metodológicas, as imprecisões e os atalhos utilizados têm um único objetivo: demonizar os patriotas burquinenses e as nossas valentes forças armadas", acrescentou o Governo no comunicado.
A HRW afirma ter-se baseado em fontes abertas e ter entrevistado mais de 450 pessoas, tanto à distância como presencialmente, no Burquina Faso, Benim, na Costa do Marfim, no Gana e no Mali, a fim de documentar as mortes.
A ONG considera, no seu relatório, que o capitão Traoré e seis altos responsáveis burquinenses, bem como vários líderes do JNIM, poderão ser criminalmente responsáveis por graves ações e deverão ser alvo de investigações, a título da responsabilidade de comando.
Por seu lado, o Governo do Burkina Faso "reitera que a luta contra o terrorismo constitui uma prioridade nacional absoluta e que é conduzida no estrito respeito pelas leis nacionais, bem como pelos compromissos internacionais do em matéria de direitos humanos".
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