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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau: PR transição exonera presidente do Tribunal Militar Superior... O Presidente guineense de transição, general Horta Inta-a, exonerou hoje o general Augusto Bicoda do cargo de presidente do Supremo Tribunal Militar, sem indicar os motivos, anunciou a Presidência do país através de decreto.

PRT General de Exército Horta Inta-A confere posse ao novo presidente do Tribunal Militar Superior

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Por LUSA 

Também em decreto presidencial, consultado pela Lusa nas redes sociais, Horta Inta-a nomeou o general Ioba Embaló para ocupar as funções agora deixadas por Bicoda, que havia sido indicado para o cargo em março de 2025 pelo então Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló.

O brigadeiro-general Ioba Embaló é um quadro militar guineense desde sempre afeto ao Tribunal Militar Superior, tendo, no entanto, trabalhado como conselheiro de segurança das Nações Unidas na Guiné-Bissau.

As mudanças na chefia do Supremo Tribunal Militar ocorrem numa altura em que o principal opositor ao regime em vigor na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, foi ouvido no Tribunal Militar Regional de Bissau, no âmbito de um processo sobre uma alegada tentativa de golpe de Estado.

Pereira, que é líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente eleito do parlamento guineense, foi ouvido, segundo a sua defesa, na qualidade de declarante de um caso que teria ocorrido em outubro passado.

Várias vozes guineenses e internacionais têm questionado o facto de um civil estar a ser ouvido num tribunal militar.

O decreto que exonera Augusto Bicoda e o que nomeia Ioba Embaló indicam que as mudanças ocorreram por iniciativa do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e foram aprovadas pelo Conselho Superior da Defesa Nacional.

Um Alto Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau, a 26 de novembro de 2025, um dia antes da divulgação dos resultados oficiais das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro.

O candidato da oposição, Fernando Dias, tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló.

Dias foi apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, pela primeira vez, foi afastado de eleições por decisão judicial.

O processo eleitoral foi interrompido, os militares aprovaram uma nova Constituição com mais poderes para o Presidente da República e convocaram novas eleições gerais para 06 de dezembro.

O Presidente cessante, Sissoco Embaló, saiu do país após o golpe, o candidato da oposição Fernando Dias, esteve refugiado na embaixada da Nigéria até 30 de janeiro, data em que saiu da cadeia para prisão domiciliária o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

As autoridades militares anunciaram que tinha  libertado todos os presos políticos do golpe de novembro de 2025 e que Simões Pereira, considerado o principal opositor de Embaló, continua sob custódia por questões ligadas à justiça civil, sem especificar de que processo se trata.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

GOVERNO APROVA ADESÃO À CONVENÇÃO DA APOSTILHA DE HAIA EM REUNIÃO DO CONSELHO DE MINISTROS

 Radio TV Bantaba 

O Conselho de Ministros da Guiné-Bissau aprovou, esta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, a adesão do país à Convenção da Apostilha de Haia, instrumento internacional que elimina a exigência de legalização de documentos públicos estrangeiros. 

A decisão foi tomada durante a sessão ordinária do Conselho, realizada no Salão Nobre “General Umaro Sissoco Embaló”, no Gabinete do Primeiro-Ministro, em Bissau.

A reunião foi presidida pelo Presidente da República de Transição, general Horta Inta-a.

No capítulo das informações gerais, o Ministro da Economia, Plano e Integração Regional apresentou os fundamentos para a participação do Estado da Guiné-Bissau, na qualidade de acionista, na Assembleia Geral Constituinte da Sociedade Mista de Transformação da Castanha de Caju. Após a exposição, o Conselho de Ministros deu anuência para que o ministro represente o Estado nessa assembleia.

Na parte deliberativa, o Governo aprovou a adesão à Convenção da Apostilha de Haia, considerada um passo importante para facilitar a circulação e o reconhecimento internacional de documentos públicos emitidos no país.

Por outro lado, o Conselho decidiu adiar a adoção de dois instrumentos internacionais: a Convenção para o Estabelecimento da Organização Internacional para a Mediação e a Convenção de Nova Iorque de 1958, relativa ao reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras.

A reunião terminou sem outras deliberações públicas, ficando as decisões formalizadas no comunicado oficial divulgado no mesmo dia.

Brigada de Ação Fiscal tem novo comandante... A Brigada de Ação Fiscal (BAF), afeta à Direção-Geral das Alfândegas (DGA), passa a contar com nova liderança. O Major Tommy Nhama Cassama foi nomeado novo comandante da BAF, através do Despacho nº 05, de 5 de fevereiro, do Gabinete do Primeiro-Ministro, que acumula a pasta das Finanças.

Por  Radio TV Bantaba

A cerimónia de passagem de comando teve lugar na tarde desta segunda-feira, na sala de reuniões da DGA, e foi presidida por Malam Homi Injai, Diretor dos Recursos Humanos, em representação do Secretário-Geral do Ministério das Finanças. O ato contou com a presença do Diretor-Geral das Alfândegas, Domenico Sanca, diretores de serviços, representantes sindicais e oficiais da Brigada.

Na ocasião, Domenico Sanca sublinhou que as movimentações de comando constituem atos administrativos normais, tendo enaltecido o trabalho desenvolvido pelo ex-comandante Fernando Cá, cuja dedicação e coragem contribuíram de forma significativa para os resultados alcançados pela DGA no último ano. Reafirmou ainda o papel central da BAF no combate à fraude e à evasão fiscal, garantindo total apoio institucional ao novo comandante.

Por sua vez, o ex-comandante Fernando Cá agradeceu ao antigo Presidente da República, General Umaro Sissoco Embaló, ao Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças, Dr. Ilídio Vieira Té, pela confiança depositada na sua nomeação, bem como à direção da DGA e aos agentes da Brigada pelo empenho demonstrado durante o seu mandato.

Já o novo comandante, Major Tommy Nhama Cassama, elogiou o trabalho do seu antecessor e comprometeu-se a manter a disciplina, a dedicação e o rigor na fiscalização aduaneira, assegurando uma atuação baseada na cooperação com todos os agentes e em estreita articulação com a Direção-Geral das Alfândegas, visando “o sucesso da casa”.

Encerrando o ato, Malam Homi Injai destacou o desempenho do ex-comandante Fernando Cá e exortou o novo responsável a pautar a sua liderança pela cooperação, respeito hierárquico e espírito de equipa, em prol da eficiência e transparência das Alfândegas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Conselho de Ministros autoriza contrato para exploração de bauxite em Boé

Por  RTB

O Conselho de Ministros reuniu-se esta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, em sessão extraordinária, no Salão Nobre General Umaro Sissoco Embaló, em Bissau, sob a presidência do Presidente da República de Transição, General do Exército Horta Inta.

No capítulo deliberativo, o Governo deu anuência à assinatura do contrato com a Empresa de Mineração de Boé (EMB), uma sucursal da companhia russa RUSSAL, com vista à construção de infraestruturas necessárias ao início da exploração de bauxite na localidade de Boé.

Durante a reunião, foram igualmente aprovados, com alterações, o projeto de decreto sobre o Regime Jurídico de Empreendimentos Turísticos de Alojamento e o projeto de decreto relativo ao Regulamento de Inspeção do Turismo.

No âmbito das informações gerais, o Ministro do Turismo e Artesanato apresentou uma exposição sobre os constrangimentos enfrentados por turistas à entrada e durante a circulação no território nacional, situações que foram denunciadas por agências de viagens da Gâmbia.

O Conselho de Ministros deliberou ainda sobre nomeações na Administração Pública. No Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, foram nomeados Manuel José da Silva Júnior como Diretor-Geral e Lucas Na Sanhá como primeiro vogal do Conselho de Administração do Conselho Nacional de Carregadores. No Ministério das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo, foram nomeados Luzia Fernandes para o cargo de Diretora-Geral de Infraestruturas de Transporte, Armando Bame Ié como Diretor-Geral de Geografia e Cadastro e Aguinaldo Garcia Varela como Diretor-Geral de Habitação e Urbanismo.

Em consequência destas nomeações, foi dada por finda a comissão de serviço, nas mesmas funções, dos anteriores titulares.

A reunião teve lugar em Bissau e o comunicado foi assinado pelo Ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, Usna António Quadé.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Guiné-Bissau. PAIGC acusa grupo contestatário de querer assaltar partido... A direção do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) acusou hoje o grupo de dirigentes que pede o afastamento do líder Domingos Simões Pereira de querer "assaltar o partido".

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Com LUSA 

A direção do histórico partido da libertação da Guiné-Bissau reagiu nesta terça-feira, em comunicado, ao "grupo de reflexão de alguns dirigentes e militantes do PAIGC que defendeu, a 30 de janeiro, uma direção de transição, alegando que o presidente Simões Pereira não tem condições para continuar no cargo por se encontrar em prisão domiciliária.

No comunicado divulgado nos canais oficiais do PAIGC, a direção refere que o grupo é "sobejamente conhecido por tentar destabilizar, fragilizar e assaltar a direção do partido, como já aconteceu com outras formações políticas nacionais".

O comunicado refere "ações de ataques sistemáticos e incessantes ao partido por encomenda do regime instalado desde 2019" na Guiné-Bissau, numa referência ao ex-presidente Umaro Sissoco Embaló.

Acrescenta que "este grupo mantém esta postura de hostilidade apenas para servir de instrumento de manipulação do seu verdadeiro mandante e receber em troca nomeações ou promoções nos cargos públicos".

"Por isso, o referido grupo aparece sempre conformado calado ou mesmo satisfeito com a detenção ou espancamento de dirigentes e militantes" e "invasões às sedes do PAIGC", lê-se no comunicado.

A direção refere-se a este "grupo disfarçado de militantes e dirigentes" como estando "ao serviço de interesses alheios ao partido (...) fingindo ignorar as ondas de perseguição e de injustiça de que tem sido alvo, com a intenção de afastar o PAIGC do pleito eleitoral".

O referido grupo responsabilizou a direção do partido pela exclusão do processo eleitoral, pela primeira vez na história do PAIGC, quando a candidatura do presidente Simões Pereira e da coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo partido, foi rejeitada pelo Supremo Tribunal de Justiça, nas eleições gerais de novembro de 2025.

O PAIGC apoiou o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

O processo eleitoral foi interrompido por um golpe militar a 26 de novembro de 2025, na véspera de serem divulgados os resultados eleitorais.

O Presidente cessante foi deposto e saiu do país, Fernando Dias refugiou-se na embaixada da Nigéria e Simões Pereira foi preso e libertado mais de dois meses depois, a 30 de janeiro, encontrando-se em prisão domiciliária.

O grupo de dirigentes e militantes defendeu, em conferência de imprensa, através do porta-voz Aladje Seco Sanó, uma direção de transição até ao congresso de novembro, por entender que o líder não tem condições para continuar à frente do partido.

No comunicado de reação, a direção argumenta que "os estatutos estão a ser plenamente observados para assegurar o funcionamento do partido, mesmo estando encerradas as suas sedes e expressamente proibidas as manifestações políticas pelo regime".

A direção considera "totalmente falsas as afirmações de Aladje Seco Sanó" de que "o partido se encontra totalmente inativo, a sua direção e vice-presidentes ausentes em acantonamento total".

"Estando o partido em funcionamento pleno de acordo com o contexto político-militar imposto ao país, não fazem sentido as alegadas preocupações do dito grupo", conclui.

Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro de 2025, nomearam o general Horta Inta-a Presidente da República de Transição e substituíram o parlamento por um Conselho Nacional de Transição.

O Alto Comando Militar alegou que pretendeu impedir uma guerra civil e anunciou que o período de transição durará 12 meses.

Entre as medidas já adotadas pelos militares consta a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente da República, e a convocação de novas eleições gerais, presidências e legislativas, para 6 de dezembro.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Porta-voz do PAIGC promete que “a luta vai continuar” com Domingos Simões Pereira

Por: Carina Branco  rfi.fr/pt  31/01/2026 

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, regressou a casa esta sexta-feira à noite, depois de ter passado dois meses detido pelos militares na Guiné-Bissau. “Agora, a luta vai continuar”, assegura o porta-voz do PAIGC, Muniro Conté, que aponta o regresso a casa de Domingos Simões Pereira como o cumprimento da resolução da Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO de Dezembro.

Na Guiné-Bissau, o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que se encontrava detido há mais de dois meses na Segunda Esquadra de Bissau foi transferido para a sua residência na sexta-feira à noite. Ele foi acompanhado pelo ministro da Defesa do Senegal, general Birame Diop, enviado especial do Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye. O Presidente eleito da Assembleia Nacional Popular estava detido desde 26 de Novembro, dia em que os militares tomaram o poder e inviabilizaram a divulgaçao dos resultados das eleições gerais.

Também esta sexta-feira Fernando Dias da Costa, candidato presidencial apoiado pelo PAIGC e que reclamou vitória nas eleições de 23 de Novembro, saiu da embaixada da Nigéria em Bissau (onde estava refugiado para evitar ser preso) e pôde ir para casa. O mesmo aconteceu com  Geraldo Martins, antigo primeiro-ministro e quadro do PAIGC. Recordo que Domingos Simões Pereira e o histórico partido PAIGC tinham sido afastados das eleições gerais por decisão judicial e apoiaram Fernando Dias da Costa.

Muniro Conté, porta-voz do PAIGC, diz que se trata de uma libertação dos presos políticos conforme a recomendação da Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CEDEAO de Dezembro e rejeita que se trate de uma prisão domiciliária.

“É uma libertação dos prisioneiros políticos. Neste caso, faltava o presidente do PAIGC e da Assembleia Nacional Popular, o engenheiro Domingos Simões Pereira, que era suposto ser libertado desde o mês de Dezembro, após a realização da Cimeira dos Chefes de Estado da CEDEAO. A resolução que saiu desta cimeira teve um carácter de decisão, recomendou-se a libertação de todos os prisioneiros políticos. Então, faltava o caso do presidente do PAIGC e presidente da Assembleia Nacional Popular, o que foi efectivado ontem”, declarou Muniro Conté à RFI.

O porta-voz do PAIGC faz questão de sublinhar que Domingos Simões Pereira não foi transferido para “prisão domiciliária”. Muniro Conté destaca que “os contornos dessa libertação oportunamente serão anunciados” e afirma que a única resolução “com carácter decisório” que foi cumprida foi a que saiu da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO de 14 de Dezembro.

Muniro Conté avisa que, apesar dos dois meses presos, Domingos Simões Pereira “está bem” e que “agora a luta vai continuar”.

A luta vai continuar. Ele escolheu este caminho. Podia ter escolhido uma caminho como outros tantos escolheram a comodidade de ir contra os princípios e valores em detrimento de mordomias. Ele escolheu o sacrifício em prol do povo da Guiné-Bissau para que a nossa democracia seja uma democracia verdadeira e não uma democracia para fazer a política servir-se do povo em vez de servir o povo”, acrescentou.

O porta-voz do PAIGC rejeitou, ainda, a alegada possibilidade de uma direcção transitória do partido, algo abordado ontem, em Bissau, por Aladje Sano, que se apresentou aos jornalistas, numa conferência de imprensa difundida pela comunicação social local, como “representante de um grupo de dirigentes e militantes” do PAIGC.

O Comité Central do PAIGC é composto por 535 membros e qualquer intervenção em nome do Comité Central tem que ser feita após uma deliberação deste órgão. Não existe nenhuma deliberação do Comité Central que diz que alguém não deve estar à frente do partido, que o partido deve ser entregue aos combatentes da liberdade da Pátria. Aliás, em caso de substituição, os estatutos do partido são claros (...) O Congresso do PAIGC está previsto estatutariamente para o mês de Novembro e se o presidente do partido não tiver disponibilidade, por uma questão de impedimento, ele pode delegar um dos quatro vice-presidentes até à realização do Congresso. Saindo desta situação de detenção ou de sequestro, numa linguagem mais clara, se ele entender que um dos vice-presidentes pode, por delegação, dirigir o partido até à realização do Congresso, ele pode fazê-lo. Agora, está fora de questão entregar o partido aos combatentes porque não existe nos nossos estatutos em nenhuma linha. Não há nada que vai impedir Domingos Simões Pereira de continuar na vida política”, declarou Muniro Conté.

Recordo que esta sexta-feira, a agência Lusa adiantava que o presidente do PAIGC ia ser libertado no final do dia e ficaria em prisão domiciliária, citando o porta-voz de um grupo que pedia uma direcção transitória no partido. As declarações eram de Aladje Sano que se apresentou como “representante de um grupo de dirigentes e militantes” do PAIGC. De acordo com a agência de notícias, Aladje Sano disse que DSP “não pode dirigir o partido em prisão domiciliária” e que o grupo que representa ia pedir uma direcção de transição até ao congresso do PAIGC em Novembro, data em que termina o mandato da actual direcção. Sano, que disse ser também membro do Comité Central do partido, é um dos assessores de João Bernardo Vieira, actual ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição e conhecido adversário de Domingos Simões Pereira no PAIGC.

Regresso a casa acompanhados pelo ministro da Defesa do Senegal

O regresso a casa dos opositores políticos acontece depois de o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, ter enviado o ministro da Defesa a Bissau.O chefe de Estado senegalês faz parte de um grupo de chefes de Estado encarregados pela CEDEAO para acompanhar e encontrar soluções para a crise política pós-eleitoral na Guiné-Bissau.

De acordo com a agência Lusa, o ministro da Defesa do Senegal saudou a “boa vontade do Presidente de transição, general Horta Inta-a” e apelou aos guineenses para “abrir uma nova página” do diálogo. O governante senegalês disse que os guineenses devem preparar-se para as eleições legislativas e presidenciais, marcadas pelos militares, para 6 de Dezembro.

Dois meses de poder militar na Guiné-Bissau

A 26 de Novembro de 2025, os militares tomaram o poder, depuseram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e o processo eleitoral foi interrompido sem a divulgação dos resultados oficiais. Vários opositores políticos do regime de Sissoco Embaló foram detidos, entre eles o principal líder da oposição, Domingos Simões Pereira. Nos dois meses no poder, os militares alteraram a Constituição, atribuindo mais poderes ao Presidente da República, e marcaram novas eleições gerais para 6 de Dezembro.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

COMUNICADO DO CONSELHO DE MINISTROS: Governo delibera sobre saúde pública, microfinança e procede a novas nomeações

O Conselho de Ministros da Guiné-Bissau reuniu-se esta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, em sessão ordinária, no Salão Nobre General Umaro Sissoco Embaló, do Gabinete do Primeiro-Ministro, em Bissau, sob a presidência do Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té.

No capítulo das Informações Gerais, o Ministro da Economia, Plano e Integração Regional apresentou uma exposição sobre o Relatório Anual de Registo de Empresas e Licenciamento de Atividades Económicas, referente ao ano de 2025.

A Ministra das Pescas e Economia Marítima destacou as consequências negativas do atual processo de fabrico local de farinha e óleo de peixe, à base de sardinela e etmalosa na Guiné-Bissau, tendo igualmente apresentado o Plano Anual de Gestão dos Recursos Halieúticos para o ano de 2026.

Por sua vez, o Ministro da Saúde Pública anunciou o lançamento do projeto de introdução da vacina contra o paludismo na região sanitária de Gabú, com o objetivo de garantir a prevenção e proteção das crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 59 meses. O governante prestou ainda esclarecimentos sobre a intenção de implementação do processo de vacinação contra a Hepatite B. Na sequência destas informações, e por razões de ordem técnica, o Conselho de Ministros deliberou a proibição da importação, distribuição e utilização, no território nacional, da referida vacina, por se tratar de um produto em fase experimental/teste, até que sejam reunidas todas as garantias científicas, sanitárias e regulamentares exigidas pelas autoridades competentes.

Na parte Deliberativa, o Conselho de Ministros aprovou a Proposta de Lei relativa à Regulamentação da Microfinança.

No capítulo das Nomeações, foi autorizada, por despacho do Primeiro-Ministro, a movimentação de pessoal dirigente da Administração Pública. No Ministério da Economia, Plano e Integração Regional, Mamadu Ciren Djabi foi nomeado Diretor-Geral da Agência de Poupança e Microcrédito. No Ministério da Administração Territorial e Poder Local, Queba Djaita foi nomeado Diretor-Geral do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE). Já no Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, Nadilé Jean Pereira Lima Banjaqui assumiu o cargo de Diretor-Geral de Viação e Transportes Terrestres.

Em consequência destas nomeações, o Conselho de Ministros deu por finda a comissão de serviço, nos mesmos cargos, dos anteriores titulares.

Bissau, 27 de janeiro de 2026.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sociedade civil da Guiné-Bissau rejeita revisão da Constituição feita pelos militares.... ??? Organizações da sociedade civil guineense rejeitam a revisão da Constituição na Guiné-Bissau, numa carta aberta dirigida ao Alto-Comando Militar, que tomou o poder no país, e a que a Lusa teve hoje acesso.

Por LUSA 

A carta aberta é assinada pelas organizações Frente Popular, Firkidja di Púbis e Movimento Revolucionário Pó di Terra.

Os três movimentos interpelam o Alto-Comando Militar  "para a dita" Restauração da Segurança Nacional e Ordem Pública "sobre o perigo que a sua atuação representa para os valores fundamentais da República da Guiné-Bissau.

As organizações que afirmam representar os estudantes, trabalhadores livres, conscientes e mobilizados rejeitam "a tentativa de reforma legislativa" que o Comando Militar "pretende impor aos guineenses" e lembram que rever a Constituição só pode ocorrer num período da normalidade político-administrativa e perante um consenso alargado sobre o que deve ser alterado.

O Conselho Nacional de Transição, órgão criado pelos militares para substituir o parlamento guineense, aprovou, na terça-feira, uma nova versão da Constituição do país que reforça os poderes do Presidente da República, mantendo, contudo, um regime semi-presidencialista.

O documento aguarda, porém, pela promulgação do Presidente de transição, general Horta Inta-A, e pela publicação no Boletim Oficial do país.

"Para nós, o que se chamou da "revisão constitucional" não passa de uma brincadeira que visa produzir um panfleto -- por isso -- descartável", refere-se na carta aberta dos três movimentos da sociedade civil.

As mesmas organizações rejeitam igualmente a determinação do Alto-Comando Militar de proibir as conferências de imprensa e as declarações públicas durante o período de transição.

Voltam a exigir aos militares que abandonem as instituições do Estado da Guiné-Bissau para permitir que "entidades legitimadas" governem o país "pela escolha soberana do povo" e ainda alertam sobre "as imprevisíveis consequências" que "a teimosia em tentar, desesperadamente, confiscar a vontade popular" expressa nas urnas poderá provocar.

A revisão da Constituição surge menos de dois meses após a tomada do poder pelos militares, em 26 de novembro de 2025, três dias depois das eleições gerais e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais.

A oposição já tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Embaló saiu do país, o candidato que se declarou vencedor, Fernando Dias, ter-se-á refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau e o principal opositor, Domingos Simões Pereira, foi detido depois de ter apoiado Dias, na sequência da decisão judicial que o impediu e ao histórico partido PAIGC de concorrerem, pela primeira vez, a eleições.

Um denominado Alto-Comando Militar tomou o poder e nomeou o general Horta Inta-a como Presidente da República de Transição.

Os militares suspenderam a Constituição e substituíram a Assembleia, dissolvida há dois anos, por um Conselho Nacional de Transição, com o anunciado propósito de fazer uma transição política pelo período de um ano.

A tomada do poder foi justificada com um alegado golpe de Estado que estaria a ser preparado para travar o processo eleitoral que acabou por ser interrompido com a destruição de atas e material da Comissão Nacional de Eleições.

A Guiné-Bissau está suspensa das principais organizações internacionais de que era membro, com a exigência do regresso à normalidade democrática e libertação dos presos políticos para voltar a ter assento em organismos como a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ou União Africana.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Corrigido anúncio de poderes do presidente na nova Constituição guineense... O porta-voz do Conselho Nacional de Transição da Guiné-Bissau corrigiu hoje a declaração que fez, na terça-feira, relativamente aos poderes do Presidente da República na nova versão da Constituição guineense aprovada pelos militares.

Por LUSA 

Fernando Vaz contactou a Lusa para dizer que quer "corrigir o que foi dito ontem [terça-feira]", concretamente que o Presidente da República passava a ser o único chefe da Nação e do Governo.

"Ontem eu disse que o Presidente da República era o chefe da Nação e o chefe do Governo, acontece que não é bem assim. O que eu referi foi a proposta de alteração apresentada, aquela que foi aprovada foi aprovada com emendas e nas emendas o Presidente da República não é o chefe do Governo", concretizou.

O porta-voz do Conselho acrescentou que "há alterações em relação aos poderes do Presidente, que passa a presidir ao Conselho de Ministros, mas não é chefe do Governo".

Na nova versão da Constituição aprovada em plenário do Conselho, o Presidente da República passa também "a nomear o primeiro-ministro" e "a nomeação não depende nesta revisão dos resultados eleitorais", disse.

"O primeiro-ministro é escolhido pelo Presidente, independentemente da existência ou não de força política maioritária no parlamento", concretizou.

Fernando Vaz confirmou outras alterações como a retirada da Constituição de "toda a questão ideológica revolucionária que existia no preâmbulo".

Fernando Vaz explicitou o teor dos artigos com "mudanças profundas", a começar pelo artigo 79, alínea g, que determina que "a nomeação do primeiro-ministro não depende agora dos resultados eleitorais. O primeiro-ministro é escolhido pelo Presidente da República, independentemente da existência ou não da força política maioritária no parlamento".

O artigo 79 fixa que "o Presidente da República, doravante, é quem preside o Conselho de Ministros, contrariamente àquilo que acontecia com a Constituição anterior que dizia que o Presidente da República preside quando bem entender".

Ainda no artigo 79, nº3, "foi introduzida a fiscalização preventiva da constitucionalidade pelo Tribunal Constitucional", órgão judicial que esta reforma cria, já que, até agora, as questões constitucionais eram tratadas pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Noutra alteração, segundo Fernando Vaz, o Presidente da República passa a ser investido pelo Tribunal Constitucional e não pela Assembleia Nacional, como acontecia na Constituição anterior.

Sobre o Conselho de Estado, houve alterações no artigo 86, onde foram introduzidos como membros por inerência o presidente do Tribunal Constitucional e os antigos Presidentes da República.

A revisão introduz ainda alterações à Assembleia Nacional, que deixa de ter no nome o termo Popular, e, no artigo 89, faz a revisão dos círculos eleitorais, alterados dos 29 atuais para 11, sendo dois da diáspora, África e Europa, e nove correspondentes às regiões existentes na Guiné-Bissau.

Relativamente às autarquias locais, o porta-voz do Conselho disse que esta matéria "está mais desenvolvida" na revisão e, quanto ao Governo, o primeiro-ministro continua como chefe do Governo, mas quem preside ao Conselho de Ministros é o Presidente da República.

Fernando Vaz indicou que estas alterações foram aprovadas e aguardam pela promulgação do Presidente de Transição e publicação oficial.

As alterações foram aprovadas na plenária do Conselho Nacional de Transição que, até março, "vai fazer a revisão de uma série de leis que constam no cronograma do Alto Comando Militar", segundo o porta-voz.

Para revisão estão as leis políticas, nomeadamente a lei dos partidos políticos, a lei eleitoral, a lei do recenseamento e a lei do financiamento dos partidos políticos.

As alterações serão anunciadas "após a sua aprovação", de acordo com Fernando Vaz.

O porta-voz tinha anunciado terça-feira, em conferência de imprensa, em Bissau, que o Conselho Nacional de Transição, que assume as funções parlamentares, aprovou a nova Lei magna, 30 anos depois da aprovação da Constituição que impunha um regime semi-presidencialista na Guiné-Bissau. 

A nova versão foi apresentada como uma continuação do sistema semi-presidencialista, mas com concentração do poder no Presidente da República, que passaria a ser chefe do Governo e a nomear o primeiro-ministro, ministros e membros do executivo. 

O porta-voz disse que a nova Constituição vinha clarificar poderes e esclareceu que "o chefe" passaria a ser o Presidente da República e que tudo dependeria de "um só líder de cooperação institucional entre intervenientes políticos".

A revisão da Constituição surge menos de dois meses após a tomada do poder pelos militares, a 26 de novembro de 2025, três dias depois das eleições gerais e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais.

A oposição já tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Embaló saiu do país, o candidato que se declarou vencedor, Fernando Dias, ter-se-á refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau e o principal opositor, Domingos Simões Pereira, foi detido depois de ter apoiado Dias, na sequência da decisão judicial que impediu Simões Pereira e o histórico partido PAIGC de concorrerem a eleições.

Um denominado Alto Comando Militar tomou o poder e nomeou o general Horta Inta-a como Presidente da República de Transição.

Os militares suspenderam a Constituição e substituíram a Assembleia dissolvido há dois anos por um Conselho Nacional de Transição, com o anunciado propósito de fazer uma transição política pelo período de um ano.

A tomada do poder foi justificada com um alegado golpe de Estado que estaria a ser preparado para travar o processo eleitoral que acabou por ser interrompido com a destruição de atas e material da Comissão Nacional de Eleições.

A Guiné-Bissau está suspensa de todas as organizações internacionais de que era membro, com a exigência do regresso à normalidade democrática e libertação dos presos políticos para voltar a ter assento em organismos como a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) ou a União Africana.


Leia Também: Banco Mundial suspende operações e desembolsos na Guiné-Bissau... 

O Banco Mundial suspendeu todas as operações e financiamentos à Guiné-Bissau, no seguimento do golpe de Estado de final de novembro, e está a "monitorizar atentamente" a situação no país, disse hoje à Lusa fonte da instituição.

Banco Mundial suspende operações e desembolsos na Guiné-Bissau... O Banco Mundial suspendeu todas as operações e financiamentos à Guiné-Bissau, no seguimento do golpe de Estado de final de novembro, e está a "monitorizar atentamente" a situação no país, disse hoje à Lusa fonte da instituição.

Por LUSA 

"O Grupo Banco Mundial está a monitorizar atentamente a situação na Guiné-Bissau", disse uma fonte oficial em resposta a questões da Lusa, nas quais confirma que os desembolsos e os projetos foram suspensos neste país lusófono africano.

De acordo com a política do Banco, pausámos os desembolsos em todas as operações em curso no país até que os critérios relevantes ao abrigo da Política Operacional (OP) 7.30 sejam satisfatoriamente cumpridos", acrescentou, salientando que "enquanto parceiro de desenvolvimento, o Grupo Banco Mundial continua comprometido em apoiar o povo da Guiné-Bissau".

Em causa está o golpe de Estado no país, no final de novembro do ano passado, na véspera da divulgação dos resultados das eleições presidenciais do país.

A OP7.30 é um manual sobre como o Grupo Banco Mundial deve agir em caso de golpes de Estado quando tem de lidar com 'governos de facto' que não são constitucionalmente legítimos nos países onde a maior instituição multilateral de financiamento opera.

Entre os projetos em curso no país, o Banco Mundial tem um projeto de resposta a emergências, vários na área da melhoria da conectividade, fortalecimento da administração pública e um financiamento significativo ao recenseamento da população, previsto para começar no final deste mês.

A notícia sobre a suspensão dos projetos e dos pagamentos surge na altura em que os militares no poder na Guiné-Bissau aprovaram uma nova Constituição para o país, em que o Presidente da República passa a ser "chefe único".

O Conselho Nacional de Transição, que assume as funções parlamentares, aprovou na terça-feira a nova Lei magna, 30 anos depois da aprovação da Constituição que impunha um regime semipresidencialista na Guiné-Bissau. A revisão da Constituição surge menos de dois meses após a tomada do poder pelos militares, a 26 de novembro de 2025.

A oposição tinha reclamado vitória sobre o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.

Embaló saiu do país, o candidato que se declarou vencedor, Fernando Dias, ter-se-á refugiado na Embaixada da Nigéria em Bissau e o principal opositor, Domingos Simões Pereira, foi detido depois de ter apoiado Dias, na sequência da decisão judicial que impediu Simões Pereira e o histórico partido PAIGC de concorrerem, pela primeira vez, a eleições.

Um denominado Alto Comando Militar tomou o poder e nomeou o general Horta Inta-a como Presidente da República de Transição.

Os militares suspenderam a Constituição e substituíram a Assembleia, dissolvida há dois anos, por um Conselho Nacional de Transição, com o anunciado propósito de fazer uma transição política pelo período de um ano.

A tomada do poder foi justificada com um alegado golpe de Estado que estaria a ser preparado para travar o processo eleitoral que acabou por ser interrompido com a destruição de atas e material da Comissão Nacional de Eleições.

A Guiné-Bissau está suspensa das principais organizações internacionais de que era membro, com a exigência do regresso à normalidade democrática e libertação dos presos políticos para voltar a ter assento em organismos como a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) ou União Africana.


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O Governo de transição da Guiné-Bissau cancelou a vacinação ao nascer contra a hepatite B e um ensaio clínico com crianças guineenses previsto para o início deste ano, disseram hoje à Lusa fontes médicas contactadas em Bissau.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Neste processo em específico, mando mensagem de coragem e determinação para vossa Excelência Major General e Presidente Horta Inta, igualmente para Primeiro -Ministro Ilídio Vieira Té e consequentemente ao Ministro das Relações (João Bernardo Vieira).

Concluindo: Umaro Sissoco Embaló enfrentou o Paigc como um Herói da resistência e destruiu quadrilha crônica que virou uma escrescência histórica, sim o ex-presidente da República será lembrado por essa quadrilha que representa memória da fome e da miséria extrema como um Herói e ficará na memória dos militantes Paigcistas subservientes e bajuladores para sempre. Parabéns Alto comando militar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Família de Domingos Simões Pereira pede "prova de vida"... A família de Domingos Simões Pereira quer "uma prova de vida" do político guineense que estará detido numa esquadra de Bissau, desde o golpe de 26 de novembro, uma informação que, segundo a filha, permanece por confirmar.

Por LUSA 

Denisa Pereira disse hoje à Lusa, numa entrevista telefónica, que a família "teme pela vida" de Simões Pereira, que não consegue contactar há quase 15 dias, e que aquilo que sabe é o que lhe contam terceiros, que "supostamente ele está na segunda esquadra".

"Sem o contacto, depois de quase 15 dias, nós precisamos de uma prova de vida, se houvesse alguém, algum organismo que tivesse entrado e confirmasse que estão detidos em tal sítio e encontram-se vivos, já era qualquer coisa", afirmou.

A filha contou que a última vez que a família viu o político guineense foi "antes da hora de almoço" de 26 de novembro, dia em que, depois de um tiroteio, os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau.

"O que eu sei do meu pai é aquilo que nos contam, supostamente que ele está na segunda esquadra, que pertence ao Ministério do Interior, e é para lá que nós temos enviado alimentação", afirmou à Lusa.

Fora isso, acrescentou, "não existe telefonema, nem existiu, não existe contacto direto" nem com a filha, "nem outro membro da família, nem com advogados, nem com nenhum membro da sociedade civil".

Denisa Pereira indicou que, "inclusive, organizações religiosas já tentaram fazer essa aproximação e ninguém conseguiu" saber de Simões Pereira e de outros políticos que terão sido detidos a 26 de novembro.

A informação da detenção, segundo disse, chegou através de pessoas que "conseguiram perceber o trajeto que foi feito" da base aérea próxima do aeroporto de Bissau, onde estaria inicialmente Simões Pereira, até ao Ministério do Interior.

Das autoridades guineenses disse não terem tido, até agora, qualquer informação.

A filha adiantou que a família decidiu "partir para outras formas de luta", que passam por "chamar a atenção da comunidade internacional, das pessoas dentro e fora da Guiné", para a situação.

"Tudo o que nós podemos fazer é chamar a atenção para aquilo que está a acontecer, explicarmos que é uma situação, [que] os direitos e liberdades e garantias das pessoas que foram detidas, nomeadamente Domingos Simões Pereira, que é o meu pai, estão a ser espezinhados completamente", declarou.

Para a família, estas pessoas encontram-se "sequestradas" por não haver uma explicação e não terem acesso à família e a advogados ou outros direitos que a lei confere.

Denisa Pereira disse ainda que a família não tem tido apoio de entidades regionais e dirigiu-se em concreto à CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) para dizer que não se sentem protegidos por esta organização, da qual a Guiné-Bissau faz parte.

Denisa lembrou que a CEDEAO esteve no país depois do golpe e que teve "encontros com alguns membros do Governo, com o Presidente de transição e não houve nenhuma movimentação no sentido de tentar chegar junto à segunda esquadra para perceber qual a real situação de Domingos Simões Pereira e demais detidos".

"Nós sentimo-nos desprotegidos, não estamos a sentir uma mão firme da parte de uma organização que devia ter uma voz firme em relação à Guiné-Bissau. Em comparação, curiosamente tivemos notícias há dois dias de uma tentativa de golpe de Estado no Benim, que é um país que faz parte da CEDEAO tal como a Guiné-Bissau, e conseguimos perceber que a CEDEAO consegue agir, às vezes, quando quer", comparou.

Denisa Pereira apontou também a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), atualmente presidida pela Guiné-Bissau, para lamentar a falta de "voz firme".

"Toda a gente condena [o] ato e depois ficamos pela intenção, marcam reuniões distantes da data em que os acontecimentos se deram, nós não entendemos", observou.

Domingos Simões Pereira era considerado o principal adversário do Presidente guineense Umaro Sissoco Embaló, com quem disputou as presidenciais de 2019.

Simões Pereira preparava-se para voltar à corrida eleitoral, mas foi excluído das candidaturas pelo Supremo Tribunal de Justiça, assim como a coligação PAI-Terra Ranka, liderada pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Enquanto líder da coligação e do histórico partido da libertação, Simões Pereira decidiu apoiar o candidato independente Fernando Dias que reclamou vitória sobre Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato, nas eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de novembro.

Três dias depois das eleições, e um dia antes da data anunciada para a divulgação dos resultados, os militares tomaram o poder, destituíram o Presidente cessante e suspenderam o processo eleitoral.

Um Alto Comando Militar nomeou Presidente de transição o general Horta Inta-A e este deu posse a um Governo com 23 ministérios e cinco secretarias de Estado, tutelados por vários nomes ligados ao Presidente deposto.

Os militares suspenderam parcialmente a Constituição e fixaram uma estrutura política com o Presidente da República de Transição, o Alto Comando Militar, o Conselho Nacional de Transição com as funções do parlamento e o Governo de Transição.

As organizações regionais africanas de que a Guiné-Bissau faz parte, suspenderam o país dos seus órgãos, nomeadamente a CEDEAO (Comunidade Económica dos Países da África Ocidental) e a União Africana (UA).

Os chefes de Estado e de Governo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) irão analisar a situação na próxima cimeira, com a recomendação do Conselho de Ministro de suspender e substituir a Guiné-Bissau na presidência da organização.

A delegação da agência Lusa na Guiné-Bissau está suspensa desde agosto após a expulsão pelo Governo dos representantes dos órgãos de comunicação social portugueses. A cobertura está a ser assegurada à distância

Guiné-Bissau: Portugal e Moçambique "preocupados" com situação na Guiné-Bissau... Os governos de Portugal e Moçambique condenaram hoje a "tomada do poder pela força na Guiné-Bissau", e manifestaram "preocupação com a evolução da situação no país, uma posição assumida na sexta cimeira bilateral, realizada no Porto.

© Lusa    09/12/2025 

Na declaração final da cimeira, em que participaram o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, os dois governos "reafirmaram o seu empenho no reforço" da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como "fórum de concertação política e de cooperação no espaço constituído pelos países de língua oficial portuguesa". 

"Neste quadro, condenaram, veementemente, a tomada do poder pela força na Guiné-Bissau, expressando a preocupação com a evolução da situação naquele país parceiro. Apoiaram, de igual modo, as iniciativas que assegurem o regresso à ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral naquele país", refere a declaração final.

Nesta cimeira, ainda na esfera diplomática, "Portugal felicitou Moçambique pelo exercício do seu primeiro mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas", no biénio de 2023-2024.

"Por seu turno, Moçambique reafirmou o seu apoio à candidatura de Portugal para o biénio de 2027-2028, nas eleições que terão lugar em junho de 2026", refere a declaração final.

A candidatura de Fernando Dias, que reclama vitória nas presidenciais na Guiné-Bissau, exigiu na quarta-feira à Comissão Nacional de Eleições (CNE) a convocação da plenária do órgão para que os resultados eleitorais sejam declarados "o mais rápido possível".

Em comunicado consultado pela Lusa nas redes sociais, reagia ao anúncio feito pela CNE, que se mostrou indisponível para dar continuidade ao processo eleitoral e divulgar os resultados das legislativas e presidenciais de 23 de novembro, devido a alegados atos de vandalismo às suas instalações.

Na voz do seu secretário executivo adjunto, o juiz Idriça Djaló, a CNE disse que os alegados atos teriam sido protagonizados por "homens armados e encapuzados" no dia 26 de novembro, véspera do anúncio dos resultados provisórios.

A candidatura de Fernando Dias da Costa, atualmente exilado na embaixada da Nigéria em Bissau, condena o "posicionamento ilegal" do secretariado executivo da CNE, que acusa de "usurpação de competências" da plenária do órgão que deveria, defende, ter sido convocada a pronunciar-se sobre o processo.

Assim sendo, o candidato exige a convocação da plenária da CNE e a divulgação dos resultados "o mais rápido possível para que se respeite a vontade popular expressa nas urnas".

A Guiné-Bissau está suspensa da CEDEAO, assim como de outra organização regional, a União Africana, consequência do golpe de Estado em 26 de novembro, quando um Alto Comando Militar tomou o poder, destituiu o Presidente, Umaro Sissoco Embaló, que deixou o país, e suspendeu o processo eleitoral.

As eleições gerais, presidenciais e legislativas, tinham decorrido sem incidentes mas na véspera da divulgação dos resultados oficiais, um tiroteio em Bissau antecedeu a tomada do poder pelo Alto Comando Militar que nomeou o Presidente de transição, o general Horta Inta-A.

O general anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.

Um novo Governo de transição foi entretanto empossado, com nomes do executivo deposto e cinco militares entre os 23 ministros e cinco secretários de Estado.

No golpe, o líder do PAIGC, Simões Pereira, foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

domingo, 7 de dezembro de 2025

União Africana e CEDEAO condenam golpe de Estado falhado no Benim... A União Africana (UA) e a Comissão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenaram hoje a tentativa de golpe de Estado no Benim, classificando-a como uma "subversão da vontade do povo beninense".

Por LUSA 

O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, condenou a tentativa de golpe no Benim, sublinhando que "qualquer forma de interferência militar em processos políticos constitui uma grave violação dos princípios e valores fundamentais" do bloco.

Em comunicado, lembrou que os quadros normativos da UA "rejeitam categoricamente" a intervenção militar na governação e afirmam a primazia da ordem constitucional e da legitimidade democrática "como pilares da paz e da estabilidade no continente".

Youssouf apelou aos envolvidos para que cessem "imediatamente todas as ações ilegais", respeitem a Constituição e regressem às suas funções legítimas.

Manifestou ainda preocupação com a proliferação de golpes na região, alertando que tais ações minam a estabilidade continental e corroem a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

O responsável reiterou a "tolerância zero" da UA para mudanças inconstitucionais de governo e expressou apoio ao Presidente o Benim, Patrice Talon, e ao povo beninense.

A CEDEAO também condenou "veementemente este ato inconstitucional", classificando-o como "subversão da vontade do povo beninense", e elogiou o governo e as Forças Armadas por restabelecerem a ordem.

O organismo prometeu apoiar o Benim na defesa da Constituição e da integridade territorial.

Patrice Talon, de 67 anos, empresário conhecido como o "Rei do Algodão", cumpre o segundo mandato iniciado em 2021 e já anunciou que não se recandidatará em 2026, conforme a Constituição do Benim.

O ministro da Economia e Finanças, Romuald Wadagni, foi designado candidato presidencial pela coligação governamental.

O candidato da oposição, Renaud Agbodjo, foi rejeitado pela comissão eleitoral, que alegou falta de patrocinadores suficientes.

O ministro do Interior, Alassane Seidou, confirmou que "um pequeno grupo de soldados organizou um motim para desestabilizar o Estado", mas destacou que as Forças Armadas "mantiveram-se republicanas" e frustraram a manobra.

Horas antes, militares rebeldes tinham anunciado na televisão pública a criação do Comité Militar para a Refundação (CMR), liderado pelo tenente-coronel Pascal Tigri, declarando a destituição de Talon, o encerramento das fronteiras e a dissolução da Constituição.

Não há notícias oficiais sobre o presidente Patrice Talon desde que foram ouvidos tiros nos arredores da residência presidencial.

O sinal da televisão estatal e da rádio pública foram cortados após o anúncio militar.

A Guarda Republicana, porém, retomou o controlo da estação e neutralizou os insurgentes.

Após a independência da França, em 1960, este país da África Ocidental sofreu vários golpes de Estado, sobretudo nas décadas a seguir à independência.

Desde 1991, o país tem estado politicamente estável após duas décadas de governo do marxista-leninista Mathieu Kérékou.

Em janeiro, dois associados de Talon foram condenados a 20 anos de prisão por uma suposta conspiração para um golpe de Estado, em 2024.

No mês passado, o poder legislativo do país prolongou o mandato presidencial de cinco para sete anos, mantendo o limite de dois mandatos.

O aparente golpe que o ministro do Interior afirma ter sido "frustrado" é o mais recente de uma série de insurreições que abalaram a África Ocidental.

O último data de novembro, na Guiné-Bissau, onde um grupo de militares tomou o poder, destituindo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e empossando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.


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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Maxime Prévot, condenou hoje a tentativa de golpe de Estado no Benim e apelou ao "respeito pelo processo democrático" antes das eleições presidenciais de 2026.


Treze militares detidos após tentativa de golpe de Estado no Benin... Pelo menos 13 militares foram hoje detidos na cidade de Cotonou, no Benim, após uma tentativa de golpe de Estado frustrada, de acordo com fontes do Exército.

Por LUSA 

"Todos os detidos são militares, incluindo um que já tinha sido expulso do serviço", indicou uma fonte militar à agência France-Presse (AFP).

Entre eles estão responsáveis pela operação, embora o tenente-coronel Pascal Tigri, apontado como líder, e outro membro tenham conseguido fugir.

O grupo tinha invadido a sede da Rádio e Televisão do Benim (RTB) na madrugada de hoje, anunciando a destituição do Presidente, Patrice Talon.

A ação foi rapidamente neutralizada pela Guarda Republicana, que retomou o controlo do edifício e repôs a ordem.

Um grupo de soldados surgiu hoje na televisão estatal do Benim a anunciar a dissolução do Governo num aparente golpe de Estado.

O grupo, que se autointitulou Comité Militar para a Refundação, anunciou hoje a remoção do presidente e de todas as instituições estatais.

Patrice Talon está no poder desde 2016 e deveria sair em abril, após as eleições presidenciais.

O candidato escolhido pelo partido de Talon, o ex-ministro das Finanças Romuald Wadagni, era dado como favorito e o candidato da oposição Renaud Agbodjo tinha sido rejeitado pela comissão eleitoral por não ter apoios suficientes.

No mês passado, o país alargou os mandatos presidenciais de cinco para sete anos, mantendo um limite máximo de dois mandatos.

Este é o mais recente golpe militar na África Ocidental, depois de, na semana passada, um grupo de militares tomar o poder na Guiné-Bissau, destituindo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e empossando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.

Soldados anunciam golpe de Estado no Benin... Um grupo de soldados surgiu hoje na televisão estatal do Benin a anunciar a dissolução do Governo num aparente golpe de Estado, noticia a agência Associated Press.

Por LUSA 

O grupo, que se autointitulou Comité Militar para a Refundação, anunciou hoje a remoção do presidente e de todas as instituições estatais.

O Presidente, Patrice Talon, está no poder desde 2016 e deveria sair em abril, após as eleições presidenciais.

O candidato escolhido pelo partido de Talon, o ex-ministro das Finanças Romuald Wadagni, era dado como favorito e o candidato da oposição Renaud Agbodjo tinha sido rejeitado pela comissão eleitoral por não ter apoios suficientes.

No mês passado, o país alargou os mandatos presidenciais de cinco para sete anos, mantendo um limite máximo de dois mandatos.

Este é o mais recente golpe militar na África Ocidental, depois de, na semana passada, um grupo de militares tomar o poder na Guiné-Bissau, destituindo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e empossando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Hoje, confrontada com a derrocada do seu modelo político, Odete Semedo refugia-se em atas falsificadas, fabricadas por marginais digitais, e tenta instrumentalizar instituições internacionais com argumentos desacreditados. A comunidade internacional, porém, já reconhece a fragilidade e a artificialidade dessas construções...

A intervenção de Odete Costa Semedo, evidencia, mais uma vez, a retórica ornamental que historicamente a acompanha: um discurso apurado na forma, mas vazio na substância, utilizado ciclicamente para encobrir práticas que, quando confrontadas com o exercício real do poder, se revelam diametralmente opostas ao que proclama. A discrepância entre o enunciado e a ação tornou-se marca distintiva da sua trajetória.

A tentativa de reabilitar politicamente Fernando Dias constitui um movimento calculado, sustentado numa teia de inverdades e manipulações estruturadas. A própria sabe que Fernando Dias não venceu as eleições presidenciais, mas insiste em fabricar uma narrativa de vitória artificial, impulsionada por uma obsessão crónica pelo poder e por uma recusa sistemática em aceitar a soberania popular. Trata-se de uma reedição, quase mecânica, da estratégia de 2019: negar resultados, fabricar dúvidas e instrumentalizar a opinião pública.

A construção apressada de uma “vitória na primeira volta”, anunciada meras horas após o fecho das urnas, demonstra não apenas fragilidade argumentativa, mas um ato deliberado de manipulação comunicacional, concebido para produzir confusão e tensionar o espaço mediático nacional e internacional. A mentira, revestida de moralismo teatral, é transformada por Odete Semedo num instrumento político diário.

No entanto, o que verdadeiramente a incomoda é o fracasso reiterado das suas estratégias. A resistência das Forças Armadas às tentativas de instrumentalização política, associada às medidas preventivas que inviabilizaram qualquer escalada militar, desmontou completamente a engenharia golpista que vinha sendo preparada. Há registos, áudios e vídeos que testemunham essa arquitetura subversiva - elementos que a narrativa fabricada não consegue apagar.

O compromisso de Odete Semedo com a instabilidade estrutural do país manifesta-se na promoção ativa do discurso de ódio, na incitação a tensões tribais e na manipulação de jovens para a destruição de património público, incluindo infraestruturas estratégicas recentemente construídas. Estes atos revelam não apenas irresponsabilidade histórica, mas também uma inveja política visceral perante a capacidade de reconstrução nacional demonstrada no curto intervalo em que o General Umaro Sissoco Embaló reorganizou setores críticos do Estado - feitos que os últimos 45 anos de governação decadente do PAIGC foram incapazes de alcançar.

A sua herança política não se distancia da ruína pública que ajudou a consolidar: escolas degradadas, serviços básicos colapsados, sistema de saúde fragilizado e um povo condenado à miséria enquanto as elites partidárias, nas quais se inclui, prosperavam à custa do erário público. A captura das riquezas marítimas por interesses estrangeiros, a criação de empresas fora do país e a entrega do mar nacional sem fiscalização configuram uma traição material ao povo guineense.

O ressentimento de Odete Semedo perante as reformas e neutralizações anticorrupção implementadas pelo General Umaro Sissoco Embaló e por Braima Camará é evidente. O confronto frontal a que estes líderes se dispuseram - sem medo, sem subterfúgios e com determinação política firme - destrói a estrutura de privilégios que durante décadas parasitou o Estado. É esta perda de domínio que alimenta a sua obsessão doentia e a sua campanha sistemática de desinformação.

Hoje, confrontada com a derrocada do seu modelo político, Odete Semedo refugia-se em atas falsificadas, fabricadas por marginais digitais, e tenta instrumentalizar instituições internacionais com argumentos desacreditados. A comunidade internacional, porém, já reconhece a fragilidade e a artificialidade dessas construções.

Em suma: a era em que estas estratégias conseguiam capturar o Estado terminou. A Guiné-Bissau não voltará a ser refém de elites que transformaram o país num laboratório de corrupção, miséria e manipulação política. As eleições podem repetir-se mil vezes: a sociedade guineense amadureceu, e o projeto de poder de Odete Semedo não encontrará mais espaço para se reinstalar no comando da nação.

Abel Djassi Primeiro 

06/12/2025


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Uma análise séria exige conhecimento profundo da Guiné-Bissau — algo que claramente falta a Sonko, um político que não respeita sequer os protocolos diplomáticos, quanto mais a figura do Chefe de Estado.

 

Caros compatriotas, chegou o momento de tratarmos com rigor o destino da nação que nos pertence.

Fernando Dias e Domingos Simões Pereira iniciaram, desde junho, uma estratégia calculada de instabilidade, com claras pretensões de ruptura institucional. A tentativa de produzir um cenário de golpe fracassado não se sustentou, mas deixou marcas inequívocas no ambiente político.

A reunião dos anciãos Balantas em Nhacra elucidou o clima que se viveu em Bissau na véspera da divulgação dos resultados eleitorais. As declarações ali produzidas provocaram uma fissura profunda nas Forças Armadas, cuja composição é majoritariamente Balanta. Esse ambiente gerou tensões internas sérias, sobretudo diante da possibilidade de os resultados não favorecerem o candidato Fernando Dias, que, prematuramente, se autoproclamara vencedor apenas três horas após o encerramento das urnas.

Quando um Chefe de Estado perde o controlo efetivo das tropas, resta-lhe apenas negociar a retirada digna do comando e assegurar a própria integridade. O General Umaro Sissoco Embaló, ponderando os riscos para a estabilidade nacional, não ofereceu resistência. Recebeu proteção institucional até a sua saída do país — atitude que só foi possível graças à postura patriótica do General Biaguê N’Tam, cuja conduta corresponde ao que se espera de um verdadeiro Chefe Militar.

O Alto Comando das Forças Armadas assumiu o poder para evitar um derramamento de sangue que seria inevitável caso os resultados fossem anunciados num ambiente já inflamado. Fernando Dias e Domingos Simões Pereira haviam semeado ressentimento e hostilidade entre segmentos dos Brasa (Balantas), ao mesmo tempo em que tentavam manipular o processo eleitoral com apoios obscuros de figuras conhecidas no narcotráfico nacional.

A narrativa que tentam impor — a de que o Presidente foi derrubado por um golpe dos seus próprios homens — é uma distorção que subestima a inteligência do povo. Em qualquer cadeia de comando, a ruptura vem sempre de dentro, e é precisamente por isso que a responsabilidade política torna-se inescapável.

Os factos históricos não podem ser ignorados. Cumba Ialá foi removido do poder sem derramamento de sangue num contexto de divergências profundas entre os quartéis Balantas do Norte e do Sul. Essas fraturas internas, persistentes até hoje, explicam grande parte da instabilidade crónica que assombra o país.

Ussumane Sonko deveria reconhecer essa história — uma história dura, dolorosa e complexa — antes de se permitir comentários irónicos ou levianos.

Este é um alerta sereno, mas firme, de um guineense que ama a sua pátria e que analisou todo o processo com distanciamento crítico, sem defesa de interesses particulares. A Guiné-Bissau precisa de políticos orientados pelo dever nacional, não por ambições pessoais.

Bissau, 01/12/2025

Anónimo, carregando a dor do seu país.