23 de setembro de 2014

Parceiros Guiné-Bissau vai à assembleia-geral da ONU pedir confiança renovada


Simões Pereira deverá viajar na quarta-feira para Nova Iorque para discursar na tarde de sexta-feira, dia 26.

"Vamos pedir que nos deem uma nova chance, que acreditem nos novos desígnios da nação", referiu em declarações feitas na segunda-feira.

O novo governo assumiu funções no início de julho após as eleições gerais deste ano que puseram fim ao regime de transição que tomou o poder depois do golpe de Estado de abril de 2012.

Em representação do país, Domingos Simões Pereira pretende consolidar o reatamento das relações diplomáticas com a comunidade internacional e garantir que há uma viragem no país rumo à estabilidade duradoura e desenvolvimento.

A comunidade internacional "precisa dar um sinal de confiança neste país e neste governo", destacou.

"A Assembleia Geral das Nações Unidas é o maior palco do concerto das nações. Vamos encontrar os nossos parceiros, tanto multilaterais [no quadro de organizações internacionais] como bilaterais [os próprios países], e vamos fazer uma advocacia a favor do país", explicou Domingos Simões Pereira.

Um apelo aos outros países "para que permitam realmente que o nosso programa seja implementado e possamos ir para a próxima mesa redonda numa condição de confiança", referiu.

O fim das sanções à Guiné-Bissau e a apoio "às necessidades mais básicas" do país são dois pontos essenciais, acrescentou o líder do governo guineense.

Domingos Simões Pereira viaja acompanhado por uma comitiva que inclui, entre outros, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Lopes da Rosa.

Para além do discurso em representação da Guiné-Bissau marcado para sexta-feira estão previstas outras atividades, entre as quais um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete.
Noticiasaominuto

Governo exonera direcção da Câmara Municipal de Bissau


O ministro da Administração Interna exonerou o presidente e o vice-presidente da Câmara Municipal de Bissau (CMB), António Artur Sanha e Marciano Indi, das funções que exerciam desde o período do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012.

Um despacho assinado pelo titular da pasta da Administração Interna refere que a medida se enquadra na necessidade de reestruturação do Ministério em causa na implementação das exigências do actual Governo, de forma a responder aos desafios que se impõem na instituição.

Em consequência, o ministro da Administração Interna indicou ao secretário de Estado do Ordenamento do Território no sentido de assumir, de forma transitória, a direcção da Câmara Municipal de Bissau até à escolha dos novos titulares.
VOA

22 de setembro de 2014

Reforma das Forças Armadas dominam o debate na Guiné-Bissau

Na Guiné-Bissau, depois da nomeação e tomada de posse do novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Biague Na Tan, aguarda-se agora a indicação dos chefes dos ramos do exército.

Brigadeiro-general Biague Na Ntan nomeado novo Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas


O Brigadeiro-general Biague Na Ntan (na reserva) foi nomeado o novo Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

O decreto presidencial 41 foi divulgado nas primeiras horas da quarta-feira em Bissau, depois de um dia de consultas entre as chefias militares e civis guineenses.

Durante a noite de terça-feira, o Conselho de Ministros esteve reunido numa sessão extraordinária, para analisar a escolha submetida pelo Conselho Superior da Defesa Nacional (CSDN) que recaiu sobre Biague Na Ntan. A sua tomada de posse está marcada para esta quarta-feira, por cerca das 14 horas locais e terá lugar no Palácio da República.

Biague Na Ntan, natural de uma pequena aldeia chamada Finete (nos arredores de Bambadinca), era até aqui o actual Chefe da Casa Militar da Presidência da República da Guiné-Bissau. Na Ntan tinha sido nomeado para o cargo no passado dia 17 de Julho, pelo decreto Presidencial número 39 assinado pelo Presidente da República José Mário Vaz.

Militar na reserva, Biague Na Ntan era Comandante-geral do Corpo da extinta Guarda-fiscal, na altura quando Mário Vaz era ministro das Finanças, no governo de Carlos Gomes Júnior deposto a 12 de Abril de 2012.

Biague Na Ntan — que muitos consideram como “amigo pessoal” de José Mário Vaz — já desempenhou as funções do vice-Chefe do Estado-maior do Exército.

Na segunda-feira, o Presidente da República afastou António Indjai do cargo de Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas.

16 de setembro de 2014

Militar - Presidente da Guiné-Bissau exonerou Chefe das Forças Armadas

O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, exonerou na segunda-feira o general António Indjai do cargo de Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), de acordo com um decreto presidencial.

O líder militar esteve à frente do golpe de Estado de 2012 e a sua substituição era admitida por círculos políticos e militares na sequência da eleição de novas autoridades, que tomaram posse em junho e julho.

"É o general António Indjai exonerado do cargo de Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Este decreto entra imediatamente em vigor", referem os dois únicos artigos do decreto presidencial lido pelas 21:30 de segunda-feira na Rádio Difusão Nacional.

O decreto é justificado "considerando que o processo de transição política terminou com a tomada de posse de órgãos de soberania democraticamente eleitos", refere o parágrafo que introduz os artigos.

De acordo com fonte presidencial, José Mário Vaz deverá marcar para hoje o Conselho Nacional da Defesa para realizar auscultações com vista à nomeação de um novo CEMGFA.

António Indjai era vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e passou a liderar os militares guineenses quando a 01 de abril de 2010 destituiu o então CEMGFA, Zamora Induta - tendo também detido, por algumas horas, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, em mais um episódio da crónica instabilidade política e militar do país.

Entre outros motivos, Indjai acusou Induta de desrespeito às normas militares e uso de bens do exército em proveito próprio.

A 12 de abril de 2012 e após vários momentos de tensão com o governo, o general liderou os militares num golpe de Estado em que depôs o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o presidente da República interino, Raimundo Pereira.

Na altura, acusou-os de prepararem a entrada de forças militares estrangeiras no país, ao passo que os governantes diziam querer garantir a estabilidade no país.

O golpe de 2012 acabaria por interromper a segunda volta das eleições presidenciais.

A 18 de abril de 2013, António Indjai foi acusado pela justiça dos EUA de participação numa operação internacional de tráfico de drogas e armas, acusação que se mantém, recaindo sobre o general um mandado de captura norte-americano.

A acusação surgiu depois de um antigo líder da Marinha guineense, Bubo Na Tchuto, ter sido detido dias antes, a 04 de abril, em águas internacionais, perto de Cabo Verde, por uma equipa da agência de combate ao tráfico de droga norte-americana, juntamente com outros quatro guineenses.

Indjai permaneceu em Bissau e tem o seu papel tem sido comentando por diferentes figuras nos últimos meses.

Em junho, o então representante das Nações Unidas no país, José Ramos-Horta, defendeu o levantamento das sanções internacionais contra o general considerando ser a melhor forma de agir, "com pragmatismo e prudência, na reforma das forças armadas e na consolidação da estabilidade política no país".

Outra referência a Indjai foi feita por Elisabete Azevedo-Harman, analista da Chatham House, considerando que "o mandado de captura norte-americano pode precisar de ser atenuado, talvez mostrando através de canais diplomáticos que ele não será ativamente perseguido desde que permaneça em Bissau".

Num texto de análise publicado em maio no portal do Instituto Real de Relações Internacionais britânico, aquela investigadora em assuntos africanos acredita que vai ter quer ser "moldado um compromisso" para os militares se afastarem da esfera política e cortarem ligações com o crime organizado.

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